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Financiado:


Com o apoio:
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Comportamentos de risco e stress em trabalhadores do sector produtivo

Ana Sofia Rodrigues Tavares


Este estudo procurou identificar a prevalência de comportamentos de risco para a saúde auto-referidos pelos trabalhadores activos de uma empresa do sector produtivo, dos quais se destacam o consumo de tabaco e de álcool, dieta inadequada (em gorduras saturadas e fibras) e inactividade física, assim como a prevalência de indivíduos com percepção negativa do estado de saúde, risco elevado de stress no local de trabalho e percepção positiva de stress. Foi ainda objectivo deste estudo analisar a associação entre estas variáveis e certas características sócio-demográficas da população em estudo. Foi também estudada a associação dos comportamentos de risco entre si e a associação entre o risco/percepção de stress e a percepção da saúde. Foi utilizada uma metodologia quantitativa, sendo um estudo observacional, transversal e descritivo com componente analítica. A população estudada foi constituída pelo conjunto dos trabalhadores activos de uma empresa do sector produtivo da região de Lisboa. Como instrumento de recolha de dados foi utilizado um questionário de auto-resposta, confidencial e anónimo. Para o tratamento dos dados foram utilizadas técnicas de estatística descritiva, testes de significância estatística com p < 0,05 e análises de regressão logística.
60% dos inquiridos consideraram o seu estado de saúde «bom» e 35,3% consideraram-no «assim-assim». Em relação à prevalência de comportamentos de risco auto-referidos, verificou-se que 7,5% dos inquiridos apresentaram um consumo excessivo de gorduras saturadas e 67,5% apresentaram um consumo baixo de fibras; 18,2% dos inquiridos são bebedores excessivos; 28,3% dos inquiridos são fumadores e 23% são fisicamente inactivos. Quanto ao risco de stress no local de trabalho, 14,7% dos inquiridos apresentaram um risco elevado de stress e 37,6% referiram sentirem necessidade de reduzir o stress a que estavam sujeitos. Em relação à associação entre os comportamentos de risco considerados e auto-referidos com a percepção da saúde e risco/percepção de stress, neste trabalho não se encontrou, para a maioria dos comportamentos de risco em estudo e para a sua ocorrência conjunta, uma associação estatisticamente significativa com a percepção da saúde. No entanto, a hipótese de referir uma percepção negativa do estado de saúde foi aproximadamente três vezes maior entre os ex-fumadores do que entre os não-fumadores. O consumo de tabaco, para além de ser o comportamento de risco mais prevalente, encontrou-se estatisticamente associado ao consumo excessivo de álcool e ao consumo elevado de gorduras saturadas, o que pode contribuir para um sinergismo no aumento das doenças crónicas. A análise de variáveis associadas com o número de comportamentos de risco revelou que o género está relacionado com a ocorrência conjunta de comportamentos de risco auto-referidos pelos inquiridos.
Os resultados obtidos podem ajudar a encontrar estratégias de acção na empresa em causa e apoiar possíveis aplicações em saúde pública, especialmente no que se refere a programas de promoção da saúde no local de trabalho que se centrem em fornecerem uma combinação de alterações de políticas e ambientes e diversas opções de intervenção e incentivos para a adopção de comportamentos e estilos de vida mais saudáveis.

 

Palavras-chave: comportamentos de risco; stress; tabagismo; alcoolismo; promoção da saúde; saúde ocupacional; estilos de vida.